Quanto tempo dura o amor?

domingo, maio 22, 2016


Há alguns anos, o dia 21 de maio passou a ter um sentido pra mim. Não porque eu quis, aconteceu. O motivo foi o pior possível. Com 14 anos, não imaginava que alguém pudesse sentir o que eu senti naquele dia. 21 de maio de 2007, oficialmente o pior dia da minha vida. Nunca entendi o porque guardamos momentos ruins. Não seria tão mais fácil apagar tudo e seguir em frente? Mas o ser humano é movido à sentimentos e não importa se são bons ou ruins, eles não somem.

Era mais um dia normal na escola, eu acho. Disso não me recordo muito bem. Me lembro da volta pra casa, onde as coisas começaram a mudar. Tinha o costume de passar na lan house para entrar nas redes sociais da época. Naquele dia, algo me impediu. Não me lembro bem o que, mas depois passei a acreditar que foi coisa de Deus. Infelizmente, as pessoas tem uma mania estranha de dar notícias ruins pela internet ou disputar pra ver quem posta a notícia primeiro na rede. Sem saber o porque, olhei pro céu e vi o tempo fechar. "Que tolice!" Pensei. Sempre fui sonhadora e intuitiva, mas naquele dia, quis me convencer de que eram coisas da minha cabeça.

Sabe aquela coisa que eu falei ali em cima sobre guardar sentimentos e sensações ruins? Isso é uma grande merda. Por que eu não consigo simplesmente esquecer o que eu pensei naquele dia? Por que não sai da minha cabeça a sensação de soco no estômago que eu tive? Seria tão mais fácil. Mas a vida, infelizmente não ta no modo easy. Às vezes, alguém desliga a manete e a gente perde o controle. Como meu irmão e meus primos faziam comigo quando eu era menor.

Passaram-se 9 "21 de maio". Em cada um deles, eu acreditava que seria melhor. Apesar de diferentes, nunca ficaram melhores. A cada ano, eu passava de um jeito. A cada ano, eu era alguém diferente. Em todos, aprendi algo. Aprendi que coisas ruins sempre acontecem. Que você tem que ser forte, porque a vida vai te bater. Aprendi que sentimentos, são pra sempre e que não importa quantos anos se passem, algumas coisas nunca mudam.

Lembram o que eu disse sobre sentimentos e sensações ruins não sumirem? Pois é, guarde essa informação. Descobri nesse tempo que algumas pessoas não vão se importar com a sua dor. Algumas vão fingir bem. Percebi que não adianta fugir ou evitar, quando chegar o dia, os sentimentos virão à tona. Entendi que podem se passar mais 9, 10, 20, 30 anos, que eu sempre vou reviver todo aquele dia na minha cabeça, como se fosse ontem. Sabe aquela informação que dei a vocês sobre os sentimentos? Pois é. Eles não mudam mesmo. Mas a notícia boa é que os sentimentos bons também ficam.

Costumo mergulhar nas memórias e reviver alguns outros dias. Tipo aquele em que passamos no parque. Ou aquele em que assistimos "Qual é a música?" no SBT, enquanto esperávamos o almoço de domingo. Mas uma sensação que não me canso de reviver e nem preciso de um dia específico pra isso, é a sensação de frio na barriga e emoção que eu sentia quando ouvia o som da sua risada. Ah, a sua gargalhada...Esse é sem dúvidas, o momento onde eu me reconecto com você e o sinto bem aqui do meu lado, como se nunca tivesse saído.

Eu aprendi a focar nesse som quando a saudade era muito grande. Passei a sorrir pras pessoas no dia 21 de maio, ninguém precisava saber. A lembrança de que fui imensamente feliz ao seu lado, passou a ser maior e mais importante do que me perguntar o porque de ter sido com você. Algumas coisas na vida, não vamos entender. Mas é certo que precisamos aprender a conviver. 

São nove anos sem meu irmão. O irmão torto que me acolheu desde sempre. O gordinho do cabelão, que ficou por dias indignado por ter cortado o cabelo. O cara que fazia todo mundo sorrir, simplesmente por ser ele mesmo. Aquele que me ensinou muito em vida e em memória. Espero que, de onde estiver, esteja lendo isso, porque naquela época eu não era tão boa com as palavras. Talvez eu nunca tenha te dito, mas eu te amo, sempre amei. Sinto sua falta.

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