O pote de maionese

domingo, agosto 30, 2015


Quando Ela ouviu isso pela primeira vez, ficou indignada. Como alguém é capaz de pensar na possibilidade de prender o outro em um pote? Com que direito? Que diabos de pote era esse? Ela chorou, brigou, esperneou. Bateu o pé, fez bico e foi embora.

O tempo passou, Ela mudou, viveu, conheceu outras paixões e às vezes se lembrava do velho pote. Mas não aceitava. "Pra que guardar pra depois se posso viver agora?" - Ela pensava. Não entrava em sua cabeça como algo tão bonito precisava ser preso e isolado em um pote.

Não se viam, não se tocavam, mas sabiam. De alguma forma sabiam. Se era o sorriso bobo, as brincadeiras, a saudade, não tinham tanta certeza. Mas sabiam que era real. Foi aí que ela percebeu. Se deu conta de que, mesmo relutante, também guardou seu amor no potinho de maionese. Descobriu que ele permaneceu ali, intacto, onde ninguém podia ver, tocar ou estragar.

O que viria depois, Ela não sabia. Se um dia ele sairia de lá, ninguém sabe dizer. Preferem deixar ali, no pote. Porque tem coisa que fica bem junto e o que fica bem separado. O que fica bem perto e o que só fica bem guardado. "Até o dia em que eu te chamar de minha e você não sorrir..."

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4 comentários

  1. Que lindo Lindica *--* Amo seus textos

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  2. Guardar no pote seja talvez uma forma de proteger esse sentimento para não se machucar, a fim de liberta-lo apenas quando for o momento certo... Gostei!

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    1. Tipo isso Pam, bem guardado. Pode ser que saia um dia, ou não! rs Obrigada, beijos!

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