O Abominável Homem das Neves também ama?

segunda-feira, maio 25, 2015


E ela nunca entendeu o porque ele fugia. Sempre se escondendo dos sentimentos, fingindo ser "tanto faz" quando na verdade era "sim", sempre dizendo que estava atrasado quando queria loucamente ficar a noite inteira. Tanto tempo se passou, tanta coisa mudou. Ela cresceu, viveu, conheceu inúmeros outros amores da vida, quebrou a cara na maioria das vezes e aprendeu. Talvez não o suficiente pra manter distância. Era atraída por confusão. Pedia apenas para não a bagunçarem, pois ela já fazia isso muito bem.

E ele chegava sempre pra bagunçar. Não importava quanto tempo passasse, o estrago era certo. Mas não dessa vez. Dessa vez, arrumou. Mostrou o quanto ela havia crescido e aprendido. Hoje, era ele quem tinha medo. Medo do furacão que ela era e do estrago que fazia. Tinha medo porque não sabia mais quem ela era. Não sabia o quão forte havia se tornado e o quanto ela se sentia bem por isso. Ela quis muitas vezes lhe dizer isso, mas não sabia como. Talvez não houvesse motivo ou mesmo necessidade. Quis o ter por perto e uma hora, a vida se encarregou disso, naturalmente.

Era tão normal olhar pra ele na rua, ver fotos antigas e ouvir aquela velha música. Nada a afetava como antes. Tudo era novo. O novo incomoda, tira do conforto, faz refletir. Algo que já era certo e resolvido, passou a ser curioso e diferente. Eles eram os mesmos. Ele com aquela mania de fazer raiva nela, provocar e voltar atrás quando a deixava brava. Ela sempre doce, com aquele jeito de enxergar somente o lado bom das pessoas e sempre voltar atrás quando ele a fazia rir. E ele sempre a fazia rir. Ainda assim, nem tudo era igual.

O seu jeito estúpido de se preocupar, sua mania chata de estar sempre certo e o seu cabelo impecavelmente arrumado, a tiravam do sério. Seu cheiro de roupa limpa, que ficava no ar quando ele saía, sua roupa bem passada e aquela cara de "não vou embora por nada", a faziam perder o rumo. Naquele momento, ela já não tinha tanta certeza se acreditava ou não no Abominável Homem das Neves. Talvez não devesse acreditar, assim como não acreditava em terceiras ou quartas chances. Talvez devesse deixar que o tempo apagasse aquele dia e que eles voltassem a agir como se nada tivesse acontecido. Talvez isso não importasse e devesse ficar apenas em suas memórias ou nos textos mal escritos que ela guardava na gaveta.

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